QUANDO UM QUADRO DE VÔMITOS É
INDICAÇÃO DE ABERTURA OU RETIRADA DE SONDA GÁSTRICA OU ENTERAL?
REVISÃO DE ESCOPO.
Dr. Alejandro Enrique Barba Rodas. Médico
Intensivista. Coordenador da UTI Cirúrgica II da Santa Casa de São José dos
Campos. Novembro de 2026
1. INTRODUÇÃO
Entender o manejo da sonda
digestiva (gástrica ou enteral) no contexto de um quadro de vômito de um
paciente se alimentando por essa via, passa primeiro por entender a diferença
entre a dieta gástrica e enteral e as vias (sondas) de administração.
1. Diferenças entre as Sondas
Gástricas e Sondas Enterais
1.1 Sondas Gástricas
As sondas gástricas são
projetadas principalmente para alcançar o estômago. Elas são mais rígidas e
calibrosas porque, além de servirem para alimentação, são frequentemente
utilizadas para drenagem de fluidos gástricos, descompressão do estômago,
lavagem gástrica e administração de carvão ativado em casos de intoxicação.
·
Material: São fabricadas majoritariamente
em Polivinil (PVC). Esse material é consideravelmente mais rígido, o que
facilita a introdução sem a necessidade de um fio-guia. No entanto, o PVC
resseca e endurece rapidamente em contato com a acidez do suco gástrico, limitando
o seu uso a curto prazo (geralmente entre 24 a 72 horas) para evitar lesões na
mucosa do paciente.
·
Tamanhos (Comprimento): O comprimento
padrão costuma variar entre 40 centímetros (para uso pediátrico ou neonatal) e
120 centímetros (para uso adulto). Como o objetivo é apenas alcançar o
estômago, elas são mais curtas que as enterais.
·
Diâmetros (Calibre): O diâmetro é medido
na escala French (1 Fr = 1/3mm ou 0.33mm). As sondas gástricas são mais grossas
para permitir o fluxo de resíduos espessos e pedaços de alimentos ou
comprimidos triturados. O calibre para adultos costuma variar de 12 Fr a 24 Fr.
Em neonatologia e pediatria, esses números caem para algo entre 4 Fr e 10 Fr.
·
Exemplos de Classe: O exemplo mais
clássico e amplamente utilizado em hospitais é a Sonda de Levine. Outro exemplo
proeminente é a Sonda de Salem sump (ou sonda de duplo lúmen), que possui uma
via para drenagem e outra para ventilação, impedindo que a sonda grude na
parede do estômago durante a aspiração contínua.
1.2 Sondas Enterais
As sondas enterais são
desenvolvidas especificamente para a administração de terapia nutricional e
medicamentos diretamente no intestino delgado (embora também possam ser
posicionadas no estômago quando o objetivo é estritamente a alimentação a longo
prazo). Elas são feitas para serem confortáveis e seguras por semanas.
·
Material: São confeccionadas em
Poliuretano ou Silicone. Ambos são materiais extremamente maleáveis,
biocompatíveis e macios, que não sofrem degradação significativa com a acidez
digestiva. Isso permite que a sonda permaneça no paciente por longos períodos
(de 30 a 45 dias). Devido à sua extrema flexibilidade, elas necessitam
obrigatoriamente de um fio-guia metálico (mandril) em seu interior para dar
rigidez durante o processo de passagem. Além disso, possuem uma ogiva de metal
(geralmente tungstênio) na ponta para ajudar na progressão por gravidade até o
intestino e para servir como peso de ancoragem.
·
Tamanhos (Comprimento): São
consideravelmente mais longas que as gástricas, pois precisam passar pelo
estômago e transpor o piloro para chegar ao duodeno ou jejuno. O comprimento
padrão para adultos gira em torno de 120 a 140 centímetros.
·
Diâmetros (Calibre): Por serem destinadas
apenas à infusão de líquidos finos (dietas enterais industrializadas e
medicamentos bem diluídos), elas são muito mais finas, garantindo o conforto do
paciente. O calibre para adultos varia geralmente entre 8 Fr e 12 Fr. No
público infantil, utilizam-se tamanhos ainda menores, como 6 Fr.
·
Exemplos de Classe: O exemplo comercial e
clínico mais conhecida no Brasil é a Sonda de Dobbhoff (frequentemente chamada
apenas de sonda enteral de poliuretano). Outro exemplo na mesma categoria são
as sondas do tipo Nutriflex, voltadas para alimentação pós-pilórica de longa
permanência.
2. Diferenças entre uma Dieta Gástrica e uma Dieta
Enteral.
As diferenças entre a dieta
gástrica (infundida no estômago, por sondas nasogástricas ou gastrostomias) e a
dieta enteral pós-pilórica (infundida no duodeno ou jejuno, por sondas
nasoenterais ou jejunostomias) baseiam-se na capacidade digestiva e de
armazenamento de cada segmento do trato gastrointestinal.
Enquanto o estômago atua como um
reservatório mecânico e ácido, o intestino delgado depende de uma entrega
química contínua e controlada para evitar complicações como a síndrome de
dumping e diarreia osmótica. A síndrome de dumping causa diarreia por
mecanismo osmótico visto que o alimento não digerido cai rápido demais no
intestino delgado. Sobrecarga de nutrientes e alta osmolaridade como alimentos
ricos em açúcares simples e carboidratos chegam ao intestino delgado sem o
processamento normal do estômago. Como o conteúdo intestinal está muito
concentrado (hiperosmolar), puxa líquido rapidamente dos vasos sanguíneos (da
circulação) para dentro do lúmen intestinal para tentar diluir esse bolo
alimentar. O excesso súbito de água e volume estica a parede do intestino (distensão
e trânsito acelerado), gerando cólicas abdominais, náuseas e uma diarreia
aquosa de início rápido (geralmente entre 10 e 30 minutos após a refeição).
2.1. Diferenças de Composição
·
Dieta Gástrica: O estômago possui
motilidade e secreção ácida capazes de diluir e iniciar a digestão. Por isso,
tolera bem fórmulas poliméricas (nutrientes intactos), dietas
artesanais/caseiras adequadamente homogeneizadas e fórmulas com maior
osmolaridade (hipertônicas), pois o próprio esvaziamento gástrico regula a
entrega ao intestino.
·
Dieta Intestinal: Como o alimento pula a
barreira digestiva e regulatória do estômago, o intestino delgado é altamente
sensível à osmolaridade. Priorizam-se fórmulas isoosmolares (próximas a 300
mOsm/kg) ou hidrolisadas (pré-digeridas em casos de má absorção) para evitar a
atração súbita de água para a luz intestinal. Em casos de comprometimento
absortivo, utilizam-se fórmulas oligoméricas ou elementares (proteínas já
hidrolisadas em peptídeos ou aminoácidos).
hh2.2. Velocidade de
Administração
·
Dieta Gástrica: Permite uma infusão mais
rápida. No método em bolus, volumes inteiros podem ser infundidos
gradativamente entre 15 e 60 minutos com o auxílio de uma seringa ou por
gravidade (gravitacional).
·
Dieta Intestinal: A velocidade precisa
ser rigorosamente lenta e uniforme. Pode ser administrada de forma contínua
(predominante) ou intermitente (24h ou períodos de 12–16h de pausa). Utiliza-se
geralmente a bomba de infusão contínua, iniciando com taxas baixas (ex.: 10 a
40 mL/h) e progredindo lentamente (avançando 10 a 20 mL a cada 12–24h) conforme
a tolerância do paciente, evitando distensão e cólicas.
1.3. Volume de Administração
·
Dieta Gástrica: Funciona de forma
fisiológica como um reservatório expansível. Tolera grandes volumes de uma só
vez, geralmente divididos em 5 a 6 refeições diárias de 200 mL a 400 mL cada.
·
Dieta Intestinal: Não possui capacidade
de armazenamento físico. Volumes elevados geram intolerância imediata. O volume
total diário calculado deve ser diluído e distribuído ao longo de várias horas
de forma fracionada contínua (gotejamento persistente de volumes mínimos por
minuto).
2. PRIMEIRO EPISÓDIO DE VÔMITO
É relativamente frequente o
costume de abrir imediatamente a sonda enteral após o primeiro episódio de
vômito apresentado por paciente internado na UTI, recebendo nutrição enteral.
Entretanto, nenhuma diretriz de
referência (ASPEN/SCCM, ASPEN Safe Practices, ESPEN, ESICM, BRASPEN) recomenda
abrir ou retirar a sonda enteral, de forma rotineira, após o primeiro episódio
de vômito. Todas tratam o vômito como sinal de intolerância e propõem uma
sequência de condutas sobre a dieta e a sonda, sem mencionar a remoção do
dispositivo.
Conduta sugerida: pausar a dieta, não abrir ou retirar a
sonda.
A sonda é aberta ou retirada
apenas em situações específicas conforme se verá a seguir.
|
|
Sonda gástrica |
Sonda pós-pilórica |
|
Suporte em
diretriz |
Sólido
(ESPEN, ASPEN, BRASPEN) |
Escasso, só
recomendações gerais |
|
Retirar após
1º vômito? |
Não |
Não |
|
Primeiro
passo |
Pausar dieta,
elevar cabeceira, aspirar orofaringe |
Idem, mais
checar se a sonda migrou para o estômago |
|
Fármaco |
Eritromicina
IV (1ª linha), metoclopramida IV (alternativa) |
Sem evidência
específica, tratar a causa |
|
Escalonamento |
Trocar para
pós-pilórica se persistir |
Descomprimir
o estômago, investigar abdome, considerar NP |
3. BASE COMUM
· [Diretriz] A sonda
gástrica é a via padrão para nutrição do paciente. A ESPEN recomenda a via
pós-pilórica quando a intolerância gástrica não responde a uso de procinéticos
(recomendação 11, grau B, consenso forte).
· [Diretriz] A ESPEN
também prevê uso da via pós-pilórica, preferencialmente jejunal, em pacientes
com alto risco de broncoaspiração. Ressalva que seu uso rotineiro não se
justifica, porque a colocação exige expertise, costuma atrasar a nutrição do
paciente e é menos fisiológica.
· [Diretriz] A
ASPEN/SCCM recomendam deslocar a infusão da dieta para um ponto mais baixo do
trato digestivo em pacientes com alto risco de broncoaspiração ou que mostrou
intolerância gástrica.
· [Diretriz] O BRASPEN
2023 segue a mesma lógica: sonda gástrica como padrão para dieta, com exceções
para paciente com alto risco de broncoaspiração, intolerância gástrica apesar
de uso de procinéticos ou com alguma contraindicação para a via gástrica.
· [Diretriz] A ESPEN
sugere adiar a dieta quando o Volume de Resíduo Gástrico (VRG) for maior que
500 mL em 6 horas. A ASPEN deixou de apoiar a medida rotineira do VRG.
· [Estudo] O estudo
NUTRIREA-1 (2013) evidenciou que não medir o VRG aumentou a frequência de
vômitos (39,7% vs 27,0%), mas a incidência de PAV foi semelhante (16,7% vs
15,8%). Isso sugere que o vômito isolado não equivale a pneumonia aspirativa,
embora o ensaio tenha incluído apenas dieta gástrica precoce.
·
[Consenso]
Do ponto de vista conceitual, uma definição pragmática de intolerância gástrica
deriva do clínico decidir reduzir a dieta enteral por causa de sinais de
disfunção gastrointestinal. Vômito e distensão apontam para intolerância alta.
Dor súbita, distensão, paralisia intestinal (íleo) ou pressão abdominal
crescente sugerem intolerância baixa.
·
[Análise
do autor] É possível iniciar a nutrição enteral se a ponta da
sonda estiver temporariamente ou acidentalmente no estômago (posição gástrica),
desde que não haja contraindicação clínica específica para a alimentação
gástrica. A via pós-pilórica (duodeno ou
jejuno) é reservada para situações específicas, como alto risco de aspiração
pulmonar, gastroparesia grave, refluxo gastroesofágico refratário ou
intolerância gástrica importante. A preferência inicial das diretrizes de terapia
nutricional (ESPEN/ASPEN/BRASPEN) é que seja usada a via gástrica/pré-pilórica
para alimentação, pois o estômago funciona como um reservatório natural para a
digestão. Se o plano médico exigia estritamente uma posição pós-pilórica (por
exemplo, devido a um esvaziamento gástrico gravemente comprometido, náuseas e vômitos),
a dieta não deve ser infundida enquanto a ponta estiver no estômago sendo
necessário tentar avançar a sonda ou solicitar seu
redimensionamento/reposicionamento.
4. SONDA EM POSIÇÃO GÁSTRICA
4.1 Retirar imediatamente após o primeiro
episódio de vômito?
Não, na maioria dos casos.
· Retirar
a sonda gástrica de forma rotineira não trata a causa do vômito (gastroparesia,
íleo, fármacos, hiperglicemia, hipertensão intra-abdominal). A mesma sonda
poderá necessária para descompressão gástrica (aberta em sifonagem) ou para a
reintrodução da dieta.
· A
reinserção de uma sonda gástrica gera custo e riscos associados à passagem:
trauma nasal, nova confirmação radiográfica e atraso no aporte nutricional do
paciente.
· A
sonda gástrica não protege nem expõe o paciente de forma clara. Há um argumento
teórico contra manter a sonda gástrica aberta: uma sonda gástrica aberta não
conectada à sucção ativa mantém o esfíncter esofágico inferior aberto, e a
literatura se divide sobre o risco de broncoaspiração. Uma sonda gástrica
mantém o esfíncter esofágico inferior (EEI) aberto principalmente devido a
fatores anatômicos e mecânicos, e a ausência de sucção agrava os riscos
associados a essa condição. O esfíncter esofágico inferior funciona como uma
válvula muscular (um anel) que permanece constantemente contraída para separar
o esôfago do estômago. Quando uma sonda passa por essa região, ela atua como um
obstáculo físico e rígido colocado transversalmente no meio do esfíncter. O
músculo simplesmente não consegue se fechar totalmente ao redor do tubo
plástico ou de silicone, quebrando a barreira de pressão anatômica. A presença
da sonda retifica e altera a angulação natural da junção entre o esôfago e o
estômago. Esse desalinhamento anatômico anula os mecanismos fisiológicos
acessórios que ajudam a manter a integridade da barreira antirrefluxo. Quando a
sonda está conectada à sucção ativa, ela remove continuamente os líquidos e os
gases do estômago (descompressão). Se a sonda não está sob sucção ou drenagem,
os sucos gástricos e o ar acumulam-se no estômago, distendendo o órgão e
aumentando a pressão intragástrica. Essa distensão gástrica estimula reflexos
que provocam ainda mais o relaxamento do EEI. Como o esfíncter já está
entreaberto pelo tubo e a pressão no estômago está alta, o conteúdo gástrico
ácido sobe facilmente para o esôfago pelo espaço ao redor da sonda ou por
dentro dela (se estiver aberta), expondo o paciente a um risco muito alto de
esofagite, estenose esofágica e pneumonia por aspiração. Em paciente intubado,
a ASPEN lembra que o tubo orotraqueal evita a aspiração maciça (macrobroncoaspiração),
mas não a de pequenos volumes (microbroncoaspiração).
·
Se o vômito persistir (se torna incoercível), a
descompressão gástrica passa a ter respaldo e indicação. Uma revisão recente
publicada em agosto 2026 (Alverdy JC. et.al. JAMA Surg. 2026) afirma que a
descompressão gástrica deve ser fortemente considerada quando o vômito persiste
ou a distensão é grave. A mesma revisão aponta que não há dados para usar sonda
em quem não vomita. A revisão Cochrane em cirurgia abdominal mostra que a
descompressão de rotina não acelera a recuperação, embora o vômito tenda a favorecer
o uso da sonda.
4.2 Procinéticos
· Eritromicina IV é a
primeira linha (ESPEN, grau B, consenso de 100%). A metoclopramida IV, ou
a combinação das duas, é a alternativa (ESPEN, grau 0).
· Doses
citadas pela ESPEN a partir de ASPEN/SCCM e Surviving Sepsis Campaing:
metoclopramida 10 mg três vezes ao dia e eritromicina 3 a 7 mg/kg/dia,
recomendações fracas e de baixa qualidade de evidência. Fonte secundária
(IBCC): eritromicina 100 a 250 mg IV três vezes ao dia, contraindicada se
paciente tiver QT longo no ECG, lesão hepática aguda ou miastenia;
metoclopramida 10 mg IV três vezes ao dia, com redução de 50% se TFG abaixo de
50 mL/min.
· Limitações
a serem consideradas: a eritromicina associa-se a toxicidade cardíaca,
taquifilaxia e resistência bacteriana. A taquifilaxia ocorre em torno de 2 a 3
dias com a metoclopramida.
· Exclua
obstrução mecânica antes de prescrever procinético (contraindicação
farmacológica).
· Antieméticos:
nenhuma diretriz consultada os aborda no vômito por intolerância alimentar. Seu
uso é empírico como sintomático. Avaliar medida do QT e eletrólitos antes de
prescrever fármacos antieméticos.
·
A via IV é preferível à enteral porque a
absorção pela sonda é incerta na gastroparesia. Isso é inferência
fisiopatológica, não achado de diretriz.
4.3 Manejo
1. Suspender
a infusão da dieta (pausa), mantendo a sonda gástrica fechada.
2. Elevar
a cabeceira a 30 a 45 graus.
3. Aspirar
orofaringe e conferir a pressão do cuff.
4. Confirmar
a posição da sonda: marca de exteriorização, aspirado gástrico e, se houver
dúvida, radiografia. A diretriz do NSW Health recomenda verificar a posição
após vômito, náuseas ou tosse. A ASPEN alerta que a migração para o esôfago
pode favorecer regurgitação e aspiração.
5. Examinar
o abdome. Medir a pressão intra-abdominal (PIA) se houver distensão. Pedir
lactato e radiografia ou ultrassom de abdome se houver sinal de obstrução ou
isquemia. A ESICM 2017 sugere retardar a nutrição enteral em choque não
compensado, isquemia intestinal, obstrução intestinal e VRG acima de 500 mL em
6 h.
6. Rever
causas reversíveis/tratáveis: opioides (provocam lentificação do trânsito
intestinal), sedativos, vasopressores, hiperglicemia, distúrbios eletrolíticos,
constipação, dieta hipercalórica (no TARGET, dietas de 1,5 kcal/mL
associaram-se a mais vômito e resíduo).
7. Iniciar
eritromicina IV (ou metoclopramida) se não houver contraindicação.
8. Abrir
a sonda gástrica para esvaziamento gástrico contínuo (em sifonagem) enquanto
houver vômito persistente ou distensão abdominal.
9. Havendo
melhora do quadro de vômitos e o VRG for < 500mL em 6 horas, retomar a dieta
em volume menor e progredir. A ESICM 2012 propõe continuar ou iniciar a
nutrição enteral e repetir desafios com pequenos volumes. A ESICM 2019 sugere
reduzir transitoriamente a meta nutricional em quem tem um episódio de VRG
alto.
10.Se
o vômito persistir apesar de procinético, mudar para sonda pós-pilórica (ESPEN
B, BRASPEN, ASPEN).
11.Nutrição
parenteral só depois de esgotadas as estratégias para maximizar a tolerância
enteral.
4.4 Quando retirar ou trocar a sonda gástrica?
· Sonda
mal posicionada ou migrada para o esôfago e não reposicionável.
· Sonda
obstruída ou lesiva (necrose nasal, epistaxe) sem necessidade de acesso
gástrico.
· Troca
por sonda pós-pilórica. Nesse caso, considere manter uma sonda gástrica
separada para descompressão e esvaziamento, como o BRASPEN admite na
pancreatite grave (sonda pós-pilórica, procinéticos e sonda gástrica para
drenagem).
·
Obstrução mecânica já descartada, procinético em
curso e decisão de passar a Nutrição Parenteral (NP) ou a via oral.
5. SONDA EM POSIÇÃO ENTERAL (DUODENAL OU
JEJUNAL)
5.1 O que as diretrizes dizem?
Pouco. Não há recomendação
específica para vômito em paciente que já tem sonda pós-pilórica. O que existe
é geral:
· A
ESPEN adverte que a via pós-pilórica pode ser prejudicial quando há problema de
motilidade distal ao estômago e que há risco de distensão intestinal e isquemia
mesentérica (evidência muito baixa).
·
A ASPEN Safe Practices orienta posicionar a
sonda no intestino delgado (pós pilórica) em pacientes de alto risco de
broncoaspiração e monitorar a posição, pois o vômito pode deslocar a
extremidade distal.
5.2 Por
que o paciente vomita com sonda pós-pilórica?
· Migração retrógrada
da sonda enteral para o estômago. Um protocolo em curso lembra
que a migração retrógrada ou reversa da sonda, desde o delgado/jejuno para o
estômago pode representar maior risco. Em estudo-piloto com 62 avaliações,
houve 8 migrações (5 retrógradas e 3 anterógradas). Mudança nas caraterísticas
do aspirado podem sugerir a posição. Quando o resíduo aspirado apresenta um
volume menor ou mais difícil de aspirar (o intestino colaba facilmente) e o pH
está mais elevado (geralmente > 6 devido às secreções alcalinas biliar e
pancreática), isso sugere fortemente que a extremidade da sonda está além do
piloro, posicionando-se no duodeno ou jejuno (porção intestinal). Diferentemente,
pH do aspirado baixo (geralmente entre 1 e 5) devido ao ácido clorídrico,
aspecto visual turvo, esverdeado, castanho ou com restos alimentares e em
volume maior pela capacidade de armazenamento do
estômago, sugerem a posição gástrica da sonda.
· Íleo
ou obstrução distal, hipertensão intra-abdominal, isquemia mesentérica.
· Excesso
de volume, velocidade ou osmolaridade da dieta.
·
Raramente, complicação mecânica grave. Um relato
de caso descreve refluxo súbito e intratável com sinais de migração do cateter,
causado por intussuscepção retrógrada.
5.3 Manejo
1. Suspender
a infusão da dieta (pausa) mantendo a sonda fechada.
2. Elevar
a cabeceira a 30 a 45 graus.
3. Aspirar
orofaringe e conferir a pressão do cuff.
4. Verificar
a posição da sonda: marca de exteriorização, radiografia de abdome. A
confirmação radiográfica é o padrão para sondas entéricas (posição verificada
por radiografia antes de iniciar a dieta).
5. Havendo
piora do quadro, com vômito ativo persistente ou distensão gástrica grave,
descomprimir o estômago com sonda gástrica separada, aberta em sifonagem para
drenagem.
6. Examinar
o abdome, medir a pressão intra-abdominal (PIA) e pedir lactato e exame de
imagem se houver dor, distensão ou suspeita de isquemia ou obstrução.
7. Havendo
melhora do quadro, reiniciar a dieta em volume e velocidade menores, em infusão
contínua.
8. Se
a sonda estiver no estômago: reposicionar (guia eletromagnético, endoscópico ou
fluoroscópico) ou converter para estratégia de volume e velocidade de
alimentação gástrica (se clinicamente tolerado), associando o uso de um
medicamento procinético para estimular o esvaziamento do estômago. Não
alimentar por sonda pós-pilórica que está no estômago mantendo volume e
velocidade de estratégia enteral. Se isso for feito, há um alto risco de
complicações, como a broncoaspiração. Pacientes com migração retrógrada de
sonda gastrojejunal (pacientes em que o ramo jejunal deslocou para o estômago)
não devem ser alimentados, pelo alto risco de aspiração, conforme um relato de
caso.
9.
Se a intolerância persistir apesar de tudo, considerar
NP suplementar ou total, seguindo a lógica da ESPEN.
5.4 Quando retirar ou trocar a sonda enteral?
· Sonda
fora de posição e irrecuperável (estômago, esôfago, árvore traqueobrônquica).
· Suspeita
de complicação mecânica (intussuscepção, perfuração).
·
Obstrução ou íleo distal confirmados em que a
dieta enteral está contraindicada, com decisão de passar a NP.
Nos demais casos, retirar a
pós-pilórica por causa de um vômito costuma ser pior que mantê-la, porque o
reposicionamento exige tempo e expertise.
6. LIMITES DA EVIDÊNCIA
· A
maioria das recomendações são fracas ou de consenso de especialistas (GPP).
Nenhum estudo comparou retirar versus manter a sonda após vômito.
· O
grau B da eritromicina contrasta com o efeito observado na meta-análise da
própria ESPEN: RR 0,65 (IC 0,37 a 1,14), com tendência a melhor tolerância, sem
significância estatística. A diretriz é mais forte que o dado.
· Os
estudos sobre sonda nasogástrica de descompressão vêm de estudos de pacientes
com cirurgia abdominal e obstrução intestinal. Não são generalizáveis à
intolerância alimentar na UTI.
· Antieméticos
no vômito da UTI não têm base em diretriz. O risco de somar fármacos que
prolongam o QT é real e deve entrar no protocolo local.
·
Um protocolo institucional que mande “retirar a
sonda após o primeiro vômito” não tem respaldo e tende a gerar trocas
desnecessárias e atraso nutricional.
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21.Retrograde
gastrojejunostomy tube migration: case report. PMC4295129.
22.DrIFT
2 Study: displacement in feeding tubes. NCT06239610.
23.How
to recognize, prevent, and troubleshoot mechanical complications of enteral
feeding tubes. American Nurse.
24.EMCrit/IBCC:
capítulos “Critical care nutrition” e “Gastroparesis” (fonte secundária para
doses).
25.NCT04001985. Nasogastric tube
clamping trial vs immediate removal (estudo registrado).
QUANDO ESTÁ INDICADA A ABERTURA DA SONDA PARA MANEJO DO VÔMITO?
1. VISÃO GERAL
Nenhuma diretriz consultada da
ASPEN, ESPEN, ESICM ou BRASPEN faz recomendação específica sobre quando deve ser
aberta uma sonda mantendo-a em sifonagem num paciente em dieta enteral que apresenta
vomito. Esses documentos tratam da dieta, dos procinéticos e da via
pós-pilórica. A indicação de abertura de sonda e drenagem vem de fontes
indiretas: um protocolo de ensaio clínico, consensos sobre hipertensão
intra-abdominal, revisões de descompressão e uma menção do BRASPEN em
pancreatite.
1.1 Deve se retirar uma sonda
após o primeiro episódio de vômito?
Não. Não existe recomendação
para isso. O que a literatura orienta como primeira medida é pausar a infusão
da dieta e, caso os vômitos persistam tornando-se incoercíveis, aí sim abrir a
sonda para esvaziamento gástrico e descompressão (sonda em sifonagem).
1.2 Medicar antes?
O manejo da sonda e o procinético
IV são simultâneos, não sequenciais. A abertura da sonda e a drenagem alivia na
hora. O fármaco age em minutos a horas e não depende da sonda.
1.3 Ponto
importante para a tomada de decisão:
Só a sonda gástrica de grosso
calibre descomprime. Sonda fina de dieta, gástrica ou pós-pilórica, não servem
para sifonagem.
2. LITERATURA QUE DELIMITA A INDICAÇÃO DE ABERTURA
DE SONDA (SIFONAGEM)
·
[Protocolo de ensaio] O protocolo do
NUTRIREA-2 definiu intolerância gástrica na ocorrência de vômito ou
regurgitação significativos. A resposta foi escalonada: primeiro um
procinético, depois redução da vazão em 25 mL/h a cada 6 horas. A dieta só era
suspensa, realizando aspiração de conteúdo pela sonda gástrica, se a
intolerância persistisse com vazão de 25 mL/h ou menos. É o desenho mais
próximo de uma regra explícita.
·
[Consenso] O WSACS 2013 cita sedação,
bloqueio neuromuscular, procinéticos e sondas de descompressão enteral entre as
medidas clínicas para hipertensão intra-abdominal. Os autores admitem que a
qualidade da evidência é geralmente baixa.
·
[Revisão] Uma revisão recente publicada
em agosto 2026 (Alverdy JC. et.al. JAMA Surg. 2026) afirma que a descompressão
gástrica deve ser fortemente considerada quando o vômito persiste ou a
distensão é grave. A mesma revisão aponta que não há dados para usar sonda em
quem não vomita. A revisão Cochrane em cirurgia abdominal mostra que a
descompressão de rotina não acelera a recuperação, embora o vômito tenda a
favorecer o uso da sonda.
·
[BRASPEN 2023] Em pancreatite moderada a
grave, a diretriz cita sonda gástrica para drenagem, junto com sonda
pós-pilórica, procinéticos e fórmulas semi-elementares, como medidas a
individualizar. É a única menção formal a drenagem gástrica nas diretrizes
brasileiras localizadas.
·
[ASPEN, ferramenta prática] A tabela de
intolerância da ASPEN lista, para náusea e vômito: antieméticos, procinéticos,
ajuste de fármacos que retardam o esvaziamento, redução da vazão e dieta
pós-pilórica. Não lista a drenagem como medida.
3. SONDA EM POSIÇÃO GÁSTRICA
3.1 Quando abrir?
|
Situação |
Conduta |
|
Vômito isolado,
pouco volume, sem distensão abdominal |
Pausar a dieta,
manter a sonda fechada, avaliar. Abrir a sonda não tem respaldo. |
|
Vômito leve
recorrente |
Procinético IV e
redução da vazão (modelo NUTRIREA-2). Abrir a sonda se persistir. |
|
Vômito volumoso ou
persistente, distensão, suspeita de íleo ou obstrução, HIA |
Pausar a dieta e
abrir a sonda em sifonagem, junto com a investigação das causas. |
|
Antes de intubação
ou procedimento com estômago provavelmente cheio |
Abrir sonda,
lembrando que a aspiração gástrica não remove material particulado nem
garante esvaziamento completo. |
3.2 Cuidados técnicos
·
Calibre. Sonda de descompressão deve ser
de grosso calibre (Salem sump ou Levin, 14 a 18 Fr). Sondas finas de dieta (Dobbhoff,
Corflo, 8 a 12 Fr) são estreitas demais para descomprimir. Se o paciente tem só
sonda fina, a sifonagem tende a falhar e é preciso trocar. Esse é um dos casos
reais em que retirar a sonda faz sentido.
·
Modo. Sifonagem é drenagem por gravidade,
com a bolsa coletora abaixo do nível do estômago. A aspiração a vácuo é
alternativa. Fontes educacionais divergem nos valores: Com sonda de Salem sump,
aspiração intermitente com pressão negativa mínima de -40 a -80 mmHg, ou máxima
de -40 mmHg contínua e -120 mmHg intermitente. Siga o protocolo institucional.
Na sonda de Salem sump, o lúmen de ventilação não recebe aspiração.
·
Permeabilidade. Sonda que não drena deixa
o estômago cheio e pode aumentar o risco de vômito e pneumonia aspirativa. Checar
volume, cor e funcionamento a cada poucas horas.
·
Perdas. Drenagem volumosa causa perda de
líquido, potássio e cloro. Uma fonte secundária recomenda reinstalar o
aspirado, até 500 mL, para evitar perdas iatrogênicas. Reponha por via IV se a
drenagem for alta e contínua.
·
Fármacos enterais. Medicamento dado por
sonda aberta é drenado antes de ser absorvido. Clampear por 30 a 60 minutos
após a dose é prática comum (sem fonte formal). Prefira a via IV.
3.3 Quando fechar ou retirar a sonda?
·
Critérios para fechar: eliminação de
flatos ou fezes, queda do débito e mudança do aspirado de bilioso para gástrico
ou salivar. Alguns serviços fazem teste de clampeamento antes de retirar. Há um
ensaio registrado (NCT04001985) comparando clampear com retirar direto, sem resultado
publicado.
·
Risco de manter a sonda aberta: Há um
argumento teórico contra manter a sonda gástrica aberta: uma sonda aberta não
conectada à sucção ativa mantém o esfíncter esofágico inferior aberto, e a
literatura se divide sobre o risco de broncoaspiração. Uma sonda gástrica
mantém o esfíncter esofágico inferior (EEI) aberto principalmente devido a
fatores anatômicos e mecânicos, e a ausência de sucção agrava os riscos
associados a essa condição. O esfíncter esofágico inferior funciona como uma
válvula muscular (um anel) que permanece constantemente contraída para separar
o esôfago do estômago. Quando uma sonda passa por essa região, ela atua como um
obstáculo físico e rígido colocado transversalmente no meio do esfíncter. O
músculo simplesmente não consegue se fechar totalmente ao redor do tubo
plástico ou de silicone, quebrando a barreira de pressão anatômica. A presença
da sonda retifica e altera a angulação natural da junção entre o esôfago e o
estômago. Esse desalinhamento anatômico anula os mecanismos fisiológicos
acessórios que ajudam a manter a integridade da barreira antirrefluxo. Quando a
sonda está conectada à sucção ativa, ela remove continuamente os líquidos e os
gases do estômago (descompressão). Se a sonda não está sob sucção ou drenagem,
os sucos gástricos e o ar acumulam-se no estômago, distendendo o órgão e
aumentando a pressão intragástrica. Essa distensão gástrica estimula reflexos
que provocam ainda mais o relaxamento do EEI. Como o esfíncter já está
entreaberto pelo tubo e a pressão no estômago está alta, o conteúdo gástrico
ácido sobe facilmente para o esôfago pelo espaço ao redor da sonda ou por
dentro dela (se estiver aberta), expondo o paciente a um risco muito alto de
esofagite, estenose esofágica e pneumonia por aspiração. Em paciente intubado,
a ASPEN lembra que o tubo orotraqueal evita a aspiração maciça (macrobroncoaspiração),
mas não a de pequenos volumes (microbroncoaspiração).
·
Retirar: sonda mal posicionada ou
obstruída, lesão nasal, ou decisão por outra via. Se a sonda está no lugar e
funciona, retirar por um vômito isolado não tem base.
4. SONDA EM POSIÇÃO ENTERAL (DUODENAL OU
JEJUNAL)
4.1 O que se sabe?
Não há recomendação específica
para manejo do vômito com sonda em posição pós-pilórica. A premissa clínica é
que a via pós-pilórica reduz a intolerância gástrica, mas não a elimina. A
ESPEN destaca que sonda pós pilórica pode ser prejudicial quando existem
problemas de motilidade distais ao estômago.
4.2 Abrir a sonda pós-pilórica em sifonagem,
seria medida adequada?
Não, na prática.
·
A sonda pós-pilórica é fina e não foi projetada
para aspiração ou para drenagem. Abri-la não descomprime o estômago.
·
Ocorrência de vômito com sonda pós-pilórica
costuma significar que o dispositivo migrou de forma retrógrada para o estômago
aumentando seu conteúdo com a dieta enteral ou que há íleo, obstrução ou HIA
distal. Em nenhum dos casos a sonda fina mantida em sifonagem resolve.
4.3 O que fazer
1.
Pausar a dieta jejunal.
2.
Cabeceira elevada.
3.
Aspirar orofaringe, checar o cuff.
4.
Confirmar a posição da ponta (marca de exteriorização,
radiografia). A migração retrógrada é possível: num estudo piloto de 62
avaliações, houve 8 migrações, 5 delas retrógradas.
5.
Se há vômito ativo ou estômago distendido, deve se
passar uma sonda gástrica de grosso calibre separada e deixá-la aberta. A
revisão de Krenitsky sugere que a descompressão gástrica durante a alimentação
jejunal pode reduzir o risco de aspiração do conteúdo gástrico. A evidência é
de baixa qualidade, mas é a mesma lógica que o BRASPEN aplica na pancreatite.
6.
Existem tubos de duplo propósito. Um relato descreve
sonda nasojejunal com função de descompressão gástrica que sustentou a nutrição
num paciente grave até a gastrostomia. Uma série antiga de 54 pacientes
críticos teve sucesso de colocação de 94% com sonda nasogástrica-jejunal
combinada, e 21% de retirada inadvertida. Esses dispositivos são pouco
disponíveis no Brasil.
7.
Investigar o abdome: pressão intra-abdominal, lactato e
imagem se houver dor, distensão ou suspeita de isquemia ou obstrução.
8.
Reiniciar a dieta enteral em taxa menor e progredir. Se
a sonda pós-pilórica estiver no estômago, não alimentar por ela como se fosse
enteral.
4.4 Quando retirar ou trocar
Sonda fora de posição e
irrecuperável, suspeita de complicação mecânica, ou obstrução distal confirmada
com decisão de nutrição parenteral. Fora disso, manter.
5. SEQUÊNCIA PRÁTICA UNIFICADA
1.
Pausar a dieta. Proteger a via aérea.
2.
Verificar a sonda: tipo, calibre, posição,
permeabilidade.
3.
Avaliar indicação de abrir a sonda gástrica em
sifonagem. Se a sonda for fina, trocar por uma sonda de Salem sump gástrica.
4.
Iniciar procinético IV (eritromicina primeira linha,
metoclopramida alternativa) se não houver obstrução mecânica.
5.
Antiemético se necessário, com atenção ao prolongamento
do segmento QT no ECG.
6.
Investigar a causa e corrigir.
7.
Reiniciar a dieta em dose menor, progredir e fechar a
sonda quando os critérios forem atendidos.
8.
Se o vômito persistir apesar de procinético: trocar
para sonda pós-pilórica (ESPEN grau B, BRASPEN, ASPEN), com sonda gástrica em
sifonagem associada se houver vômito ativo.
6. LIMITES DA EVIDÊNCIA
·
Os dados de descompressão vêm de cirurgia
abdominal e obstrução intestinal. Em UTI geral, o benefício de drenar um vômito
de intolerância alimentar não está demonstrado.
·
A literatura sobre sondas de duplo propósito é
composta por relatos e séries pequenas.
·
Valores de pressão de aspiração variam entre
fontes educacionais e não vêm de diretriz.
7. REFERÊNCIAS CONSULTADAS
7.1 Diretrizes e consensos
1.
Singer P, Blaser AR, Berger MM, et al. ESPEN practical
and partially revised guideline: clinical nutrition in the ICU. Clin Nutr.
2023;42(9):1671-1689.
2.
Singer P, et al. ESPEN guideline on clinical nutrition
in the ICU. Clin Nutr. 2019;38(1):48-79.
3.
McClave SA, Taylor BE, Martindale RG, et al. SCCM/ASPEN
guidelines. JPEN. 2016;40(2):159-211.
4.
Boullata JI, et al. ASPEN Safe Practices for Enteral
Nutrition Therapy. JPEN. 2017;41(1):15-103.
5.
ASPEN. Practice tool: Enteral nutrition
gastrointestinal intolerance, issues and solutions. nutritioncare.org (data não
confirmada).
6.
Castro MG, et al. Diretriz BRASPEN de Terapia
Nutricional no Paciente Grave. BRASPEN J. 2023;38(2 Supl 2):2-46.
7.
Reintam Blaser A, et al. Early enteral nutrition in
critically ill patients: ESICM clinical practice guidelines. Intensive Care
Med. 2017;43:380-398.
8.
Reintam Blaser A, et al. Gastrointestinal function in
intensive care patients (ESICM WGAP). Intensive Care Med. 2012;38:384-394.
9.
Kirkpatrick AW, et al. Intra-abdominal hypertension and
the abdominal compartment syndrome: WSACS consensus and guidelines. Intensive
Care Med. 2013;39:1190-1206.
7.2 Estudos e revisões
10.
Reignier J, et al. NUTRIREA-2. Lancet.
2018;391:133-143. Protocolo: NCT01802099 (lido).
11.
Reignier J, et al. NUTRIREA-1. JAMA.
2013;309(3):249-256.
12.
Roberts DJ, Ball CG, Kirkpatrick AW. Intra-abdominal
hypertension and the abdominal compartment syndrome. Curr Opin Crit Care. 2016.
13.
Nelson R, et al. Prophylactic nasogastric decompression
after abdominal surgery. Cochrane Database Syst Rev. 2007 (PMC6669251).
14.
Small bowel obstruction, gastric tubes, and the airway:
rethinking routine decompression before induction. 2025.
15.
NCT04001985. Nasogastric tube clamping trial vs
immediate removal (registro, sem resultados).
16.
A breath of fresh air: air-circulating technique to
prevent nasogastric tube dysfunction. PMC4661948.
17.
Krenitsky J. Gastric versus jejunal feeding. Practical
Gastroenterology. 2006.
18.
Maintaining enteral nutrition using a nasojejunal tube
with gastric decompression function. PubMed 27746430.
19.
Endoscopic nasogastric-jejunal feeding tube placement
in critically ill patients. Gastrointest Endosc. 1997 (PubMed 9013173).
20.
Improvised dual lumen nasojejunal tube with gastric
decompression. VideoGIE. 2023.
21.
DrIFT 2 Study protocol. NCT06239610.
22.
NSW Health. Insertion and management of nasogastric and
orogastric tubes in adults. GL2023_001.
7.3 Fontes secundárias e educacionais (usadas
apenas para aspectos técnicos)
23.
PPNO. Care of the adult patient with gastric tubes
(PDF).
24.
rk.md, Common types of adult nasogastric tubes;
Lecturio, Small-bore feeding tube guide; Gomdori Medical, NG and Dobhoff tube
placement (2026).
25.
EMCrit/IBCC e curso CNSC (open-exam-prep), capítulo
7.1.